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Mesada meritocrática e o mito do suborno

A mesada não precisa ser uma doação, ela pode ser uma recompensa para o bom comportamento.


Se você pesquisou em mais de uma fonte sobre o tema, provavelmente se deparou com opiniões divergentes sobre a polêmica mesada educativa. Há quem defenda a tese de que a mesada deva ser obrigatoriamente uma doação incondicional, sem qualquer merecimento por parte da criança. Alguns defensores dessa abordagem definem a recompensa financeira para o bom comportamento como uma espécie de suborno capaz de transformar crianças em mercenárias.


No livro "Como Educar Crianças Temperamentais" (Ed. Gente, p.125), o Dr. George M. Kapalka, PhD em Psicologia Clínica, declara que "embora uma espécie limitada de recompensa monetária (como, por exemplo, um pequeno brinquedo ou uma mesada) possa ser incluída no contrato comportamental, o contrato básico é estabelecido sem gasto monetário". A maior parte das recompensas educacionais são gratuitas, e podem ser surpreendentemente simples, tais como minutos adicionais jogando videogame, um piquenique no parque ou permissão para brincar na casa de um coleguinha. A questão não é a natureza da recompensa, mas sua utilidade na modelagem do comportamento.


Recompensa, não suborno

O autor desconstrói o mito de que recompensar uma criança por um bom comportamento é suborno. Para isso, ele apela para a distinção filosófica do termo, onde suborno é caracterizado como algo que damos a alguém de modo a convencê-lo a desempenhar um comportamento inadequado, algo como pagar propina a um guarda de trânsito para não cumprir seu dever em multar, enquanto recompensa é um estímulo a um comportamento adequado e desejado.


O Dr. Kapalka enfatiza que o caráter estimulante da recompensa não funciona exclusivamente para crianças, é um recurso funcional para adultos, afinal de contas o salário que você recebe ao final do mês é suficiente para tirá-lo do conforto de sua cama mesmo nas manhãs frias e chuvosas, certo? Provavelmente você não se sentiria confortável recebendo o rótulo de mercenário(a) por esperar a recompensa combinada sendo transferida para sua conta bancária até o quinto dia útil (vulgo salário).


Outro mito combatido pelo autor é a de que as crianças deveriam sentir-se suficientemente recompensadas pelo mero sentimento de realização por concluírem tarefas difíceis e não divertidas. "Não seria realista esperar isso de seu filho", afirma o psicólogo, "Não se deve esperar que uma criança tenha sentimento de realização apenas por estar fazendo a coisa certa", ainda que seja desejável.


Estabelecendo o contrato comportamental

Um ponto fundamental no modelo meritocrático de recompensas é a clara definição dos critérios e da estrutura através da qual a criança receberá os privilégios por ela desejados, cumprindo as responsabilidades devidas. Este método é chamado de contrato comportamental.


"O contrato comportamental é muito importante, pois é uma das formas mais eficientes de diminuir problemas comportamentais do seu filho", afirma o PhD, que explica o modus operandi do método. Segundo ele, o contrato comportamental funciona com base no princípio da aplicação de consequências adequadas ao comportamento da criança, ou seja, consequências positivas após comportamentos positivos e consequências negativas (ou, pelo menos, ausência de consequências positivas) depois de comportamentos negativos. "A ideia é implementar uma troca por meio da qual seu filho conseguirá obter privilégios desempenhando certos comportamentos".


Negociando o contrato

Como todo e qualquer contrato, o contrato comportamental precisa ser negociado entre as partes, gerando vantagens e benefícios suficientes para motivar e termos claros o bastante para gerar a concordância dos envolvidos. É neste ponto que a criança deve ser estimulada a negociar. Esta é a maneira mais eficiente para identificar quais recompensas são atrativas o bastante para a criança.


Converse com a criança e explique claramente a proposta do novo sistema de mesada. Peça que ela ajude a elencar as recompensas materiais e imateriais desejadas. É fundamental estabelecer recompensas suficientemente atrativas para estimular a criança a firmar o acordo.


Dependendo da idade da criança, no momento de definir as recompensas materiais, recomenda-se utilizar referências não monetárias, tais como brinquedos e objetos de interesse que lhe permitam materializar o benefício.


Uma vez definidos os objetos de desejo da criança, estabeleça uma lista clara de tarefas que a criança deverá realizar diária, semanal e/ou mensalmente para conquistar as recompensas. É fundamental que os termos sejam claros e objetivos. Recomenda-se que sejam definidos pesos diferentes para as tarefas conforme o nível de dificuldade.


Ferramenta tecnológica

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