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Como usei a mesada educativa para combater o consumismo infantil

Atualizado: 30 de Dez de 2019

Antes de fundar a Tindin, o autor deste post foi pai de um menino por 7 anos, período no qual descobriu a mesada educativa como um remédio para o consumismo.

Como tudo começou

Aos 3 anos de idade o Rafael já era filho de pais separados. E como qualquer criança nesta condição, ele tinha duas casas, dois quartos, duas camas, tudo em dobro, inclusive o mimo.


Não que mimar seja um vício exclusivo de pais separados, mas o contexto potencializa. Deixarei para os psicólogos as explicações para o fenômeno e me concentrarei em contar a experiência que vivi com meu filho.


Prazer em presentear

Uma das coisas mais prazerosas para um pai ou uma mãe é presentear um filho (acredito ser porta-voz da maioria). Não tem dinheiro no mundo que pague a felicidade e a satisfação estampadas no rosto de uma criança. A mãe natureza dotou bebês humanos de armas poderosas (cujo nome popular é fofura) capazes de exercer este poder avassalador sobre nós adultos.


Indefeso contra esta poderosa arma, me transformei em um pai viciado em presentear. Não havia ocasiões especiais ou datas comemorativas que justificassem os presentes, afinal de contas, desde quando amor de um pai precisa de justificativas? Assim, os presentes se tornaram frequentes, praticamente diários. Sempre quando entrávamos em um shopping, e o fazíamos com frequência, obrigatoriamente passávamos em uma ou mais lojas de brinquedos.


Os problemas começaram

Não demorou muito tempo para perceber que minha forma de demonstrar amor não estava surtindo o efeito desejado. Em poucos meses, aquele rostinho feliz e satisfeito transformou-se em olhar de cobrança.


Presentes deixaram de ser surpresa e tornaram-se obrigação.


A situação chegou a tal ponto, que cada visita ao shopping transformou-se em uma operação logística, digna de Waze. O desafio era encontrar rotas que desviassem de qualquer brinquedo exposto em uma vitrine.


Em casa, o Rafael estava começando a dar sinais de que se algo não fosse feito ele se transformaria em uma criança "birrenta", daquelas que negociam na base do grito e do sapateado. Pior, meu filho havia se transformado em uma criança consumista.


Uma luz no fim do túnel

Comecei uma busca desenfreada por informação. Precisava fazer alguma coisa para reverter o processo nocivo que eu havia iniciado. Foi quando me deparei com a "mesada educativa".


Até então o Rafael não tinha uma mesada. Particularmente eu não via a necessidade de um garotinho de 3 anos manusear dinheiro (e tenho certeza estar sendo lido por pais e mães pensando o mesmo). A questão toda era que meu filho sequer sabia o que era o dinheiro. Tudo o que precisava ou queria ele simplesmente ganhava. Ele era incapaz de entender qual a dificuldade em comprar todos os brinquedos de uma loja, afinal de contas, bastava o papai passava um cartãozinho "mágico" plástico numa maquininha sem graça, esperar ela cuspir um papel amarelo, e pronto. Ele simplesmente não sabia o valor do dinheiro.


A literatura dizia que a Educação Financeira não tinha idade, decidi arriscar.


A primeira negociação

No primeiro final de semana, após a descoberta, sai com meu garoto para o shopping. Passamos em frente à uma loja de brinquedos e, como esperado, ele me arrastou para dentro. Deixei que ele fuçasse em todos os brinquedos das prateleiras, até que ele parou diante do Santo Graal dos brinquedos, o líder de todos eles, o Woody, protagonista da franquia Toy Story.

Ele pediu: "Compra, papai?", fazendo aquela carinha irresistível de gato de botas, que compartilhei na chamada deste post. Precisei me concentrar para manter o plano. Ajoelhei-me ao seu lado e fiz uma proposta que mudaria tudo daquele dia em diante: "Que tal você mesmo comprar?"


Ele arregalou os olhos e perguntou curioso: "Como, papai?"


Devolvemos o brinquedo na prateleira, comprei um cofrinho de porcelana, e caminhamos para casa, de mãos dadas, enquanto eu explicava que à partir daquele dia, todas as semanas ele ganharia algumas moedinhas às quais ele deveria juntar para comprar o brinquedo que tanto queria.


Ele topou, e a nossa aventura de educação financeira começou!


No próximo post conto como terminou esta aventura.


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