Buscar
  • fabiorogeriosj

Aprendi o valor da conquista com meu filho

Atualizado: 17 de Dez de 2018

O valor do dinheiro não está nele mesmo. Na primeira experiência de educação financeira com meu filho aprendi que a conquista, e não o resultado final propriamente dito, é o bem mais valioso de todo o processo.

Evento batizado de "A Primeira Quebra do Cofrinho"

A motivação

Quando decidi aplicar a mesada educativa, para combater o consumismo infantil do meu filho, tive o cuidado de estabelecer com ele o objetivo pelo qual ele estaria juntando moedas pelos próximos meses.


A estratégia era demonstrar o esforço e o tempo necessários para acumular moedas suficientes para serem trocadas pelo brinquedo que ele tanto queria: o Woody da franquia Toy Story. Era um desafio bastante significativo, sobretudo para um garoto de 3 anos, pois o brinquedo custava mais de R$200 na época, e exigiria muita resiliência.


Apenas mais tarde eu viria a entender que o tamanho do desafio seria fundamental para transmitir o valor do dinheiro. Caso houvéssemos estabelecido uma meta de curto prazo, ele não teria notado o esforço, por outro lado, se o desafio fosse de muito longo prazo, ele não teria suportado o processo, e teria desistido no meio do caminho.


A negociação

Uma das etapas mais importantes do processo da mesada educativa foi a negociação. Sentar-se à mesa para negociar com uma criança de 3 anos pode ser surpreendentemente divertido.


Agendamos um horário, e ao longo do dia o lembrei de que teríamos uma reunião, como as que o papai tinha no trabalho, para definirmos a sua mesada.


Na hora marcada, coloquei minha camisa de trabalho e, com uma pasta executiva em mãos, me dirigi ao local de negociação: a mesa de jantar. Ele fez o mesmo, com roupa de sair, arrastando sua mochila de rodinhas. A brincadeira era fazermos tudo como se estivéssemos fazendo negócios, e não poderíamos rir.


Sentamos à mesa, abri minha pasta, retirei o notebook e exibi a imagem na tela, que fez seus olhos brilharem: uma foto enorme do Woody.


"Vamos aos negócios!", comecei, "É ele que você quer?"

Ele simplesmente balançou a cabeça afirmativamente, com olhos fitos no objetivo.


"Então precisamos definir quantas moedinhas você precisará juntar por semana, e quantas semanas serão necessárias para comprar o Woody!"


Joguei algumas moedas sobre a mesa, e contei com ele. Eram 15 moedas de R$1. Abri um calendário e juntos contamos quantas "semanadas" (uma versão semanal da mesada) seriam necessárias para ele ter dinheiro o bastante para alcançar seu objetivo.


"Concorda em receber e guardar as moedas por todo este tempo?"

"Sim!!", ele respondeu entusiasmado.

Apertamos as mãos, como bom homens de negócios, e desse dia em diante meu filho passou a receber oficialmente uma mesada educativa.


Resiliência, resiliência e resiliência

Os 3 meses seguintes foram um verdadeiro mar de rosas. E a verdade é que rosas tem espinhos! Se juntar dinheiro é um desafio para um adulto, o que dirá para uma criança.


Ao logo do caminho enfrentamos todo o tipo de obstáculo. Foram recaídas e birras, no shopping, desejos consumistas de curto prazo, e períodos de desinteresse pelo cofrinho. Aliás, o cofrinho se tornou um problema. Notei que o simples fato de colocar as moedas dentro dele não estavam surtindo o efeito desejado, pois à partir do momento em que a moeda ultrapassava o orifício do cofrinho, meu filho não tinha mais contato com ela.


Foi quando decidi abrir o cofrinho duas vezes por semana para, juntos, brincarmos com as moedas. O objetivo era que ele percebesse o progresso. Inventamos todo o tipo de brincadeira com as moedas, desde competição da maior pilha sem cair até jogos de peteleco. Mas logo notei que precisaria ter o cuidado de não deixá-lo sozinho com as moedas, sob pena de levá-las à boca e incorrer em um grave acidente doméstico.


Não sabia ao certo qual o resultado de todo aquele esforço, até o dia em que, após guardarmos as moedas, meu filho declarou: "Ainda não temos moedinhas para buscar o Woody? Tá demorando!" Aproveitei a oportunidade para explicar que dinheiro era algo que dava muito trabalho para conseguir. Ele sorriu, concordando com a cabeça.


Ali soube que estávamos no caminho certo.


A hora do prêmio

O momento áureo da primeira experiência de educação financeira com meu filho ocorreu no dia batizado de "A Primeira Quebra do Cofrinho" (imagem de capa do post). Aquele dia marcou uma rotina que se repetiria ao longo dos próximos anos.


Como pai, aquele foi um dia de reflexão. Eu era incapaz de enxergar a mesma criança de poucos meses atrás. Um milagre havia acontecido. E o menino que pouco tempo antes sapateava quando queria um presente, passou a negociar, e usar com frequência a pergunta: "Papai, este brinquedo é muito caro?" (Até hoje, aos 10 anos, quando vamos escolher um presente, ele levanta essa mesma questão).


Aos 3 anos de idade o Rafael faria sua primeira compra sozinho. Confesso que me emocionei (e ainda hoje me emociono) em saber que aquele foi um passo gigantesco no desenvolvimento do meu menino.


Caminhamos até a mesma loja onde meses antes fizemos o acordo, ele se dirigiu apressado até a moça do caixa, entregou o saco de moedas contadas e falou: "Vim buscar o meu Woody, onde ele está?"


Naquela primeira noite, depois da conquista, ele dormiu abraçado com seu novo amigo.

A primeira noite depois da conquista

E foi apenas depois disso que tive a plena compreensão do que havia acontecido. Não se tratava apenas de aprender sobre o valor do dinheiro, de desenvolver disciplina ou resiliência, era muito mais do que isto, pela primeira vez eu havia permitido que meu filho sentisse o delicioso gostinho da conquista.


Depois dessa experiência, se você me pedisse um conselho de pai, eu diria: "Nunca prive seus filhos do prazer da conquista, não importa quantas frustrações ele precise superar no caminho!"


#poupançainfantil #negociaçãoinfantil #tindin #educaçãoinfantil

118 visualizações

© 2020 por Tindin Educação Financeira Ltda.